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title: "Câncer de pulmão do Papa Leão XIV chama atenção para casos entre quem nunca fumou"
description: "Oncologista da Universidade de Miami lembra que a doença já mata mais mulheres do que os cânceres de mama, ovário e colorretal, e que quem nunca fumou fica fora das diretrizes de rastreamento."
author: "Grécio Freitas"
published: 2026-10-26
updated: 2026-10-26
canonical: https://grecio.com.br/blog/cancer-de-pulmao-papa-leao-xiv-nao-fumantes
tags: ["câncer de pulmão", "mulheres", "Papa Leão XIV", "Saúde", "tabagismo"]
category: "Saúde"
source: "Superinteressante"
source_url: https://super.abril.com.br/saude/cancer-de-pulmao-do-papa-leao-xiv-alerta-para-numero-crescente-de-nao-fumantes-diagnosticados-com-a-doenca/
source_language: pt-BR
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# Câncer de pulmão do Papa Leão XIV chama atenção para casos entre quem nunca fumou

> Oncologista da Universidade de Miami lembra que a doença já mata mais mulheres do que os cânceres de mama, ovário e colorretal, e que quem nunca fumou fica fora das diretrizes de rastreamento.

O diagnóstico de câncer de pulmão do Papa Leão XIV, divulgado em 13 de outubro de 2026, reacendeu a discussão sobre o aumento de casos da doença entre pessoas que nunca fumaram. Segundo relatos, o pontífice não é fumante.

A análise é da oncologista torácica Estelamari Rodriguez, diretora associada de Extensão Comunitária em Oncologia Torácica da Universidade de Miami, em artigo publicado originalmente no The Conversation e reproduzido pela Superinteressante. O texto é uma versão atualizada de um artigo de fevereiro de 2023. Segundo ela, o perfil do câncer de pulmão mudou: nos últimos 15 anos, mais mulheres, mais jovens e mais pessoas que nunca fumaram passaram a ser diagnosticadas.

O câncer do papa foi detectado em estágio inicial. De acordo com a médica, tumores encontrados nessa fase podem ser tratados com cirurgia e curados, tanto em fumantes quanto em não fumantes. O problema é que ==quem nunca fumou não está incluído nas diretrizes atuais de rastreamento==, e muitas vezes o tumor só é descoberto por acaso. Entre as possíveis causas da doença nesses pacientes estão exposições ambientais e fatores genéticos. Para Rodriguez, reconhecer os fatores de risco de cada pessoa, com ou sem histórico de tabagismo, é essencial para que exames e tratamento aconteçam no momento adequado.

O câncer de pulmão é a principal causa de morte por câncer entre as mulheres e, a cada ano, mata mais mulheres do que os cânceres de mama, de ovário e colorretal. De acordo com a American Lung Association, ==as taxas da doença subiram 79% entre as mulheres nos últimos 44 anos e caíram 43% entre os homens==. Pela primeira vez na história, há mais mulheres jovens do que homens diagnosticados com câncer de pulmão.

Rodriguez relata que tem atendido muitas mulheres jovens que nunca fumaram e chegam à clínica com um diagnóstico recente. Para quem nunca fumou, a doença costuma surpreender tanto a paciente quanto o médico, o que pode atrasar o diagnóstico. Segundo ela, pesquisadores já descreveram essa tendência entre mulheres em diferentes partes do mundo e começam a entender por que os casos estão aumentando.

Uma das explicações é que muitas mulheres começaram a fumar mais tarde do que os homens, o que adiou o pico dos casos ligados ao tabaco. Elas também começaram a fumar quando os cigarros com filtro eram mais comuns. O filtro distribui a fumaça para as partes externas dos pulmões, o que aumenta o risco de um tipo de tumor chamado adenocarcinoma. Alguns estudos sugerem ainda que as mulheres são mais suscetíveis aos efeitos cancerígenos do tabaco, inclusive do fumo passivo, e podem desenvolver a doença com menos anos de tabagismo do que os homens.

Ainda assim, a maioria das pessoas diagnosticadas hoje com câncer de pulmão não é fumante ativa. Cerca de 20% das mulheres com a doença nunca fumaram, proporção maior do que entre os homens.

Além do cigarro e do fumo passivo, os fatores de risco incluem histórico familiar de câncer e exposição ao amianto, ao radônio e à poluição do ar. Em algumas partes do mundo, a inalação de substâncias no ambiente de trabalho, como arsênico, berílio, cádmio, sílica e níquel, ainda é motivo de preocupação. O risco associado ao cigarro eletrônico e à fumaça da maconha segue em estudo, mas também preocupa.

A genética pode ter papel em alguns pacientes de famílias com forte histórico da doença. Estudos com essas famílias ajudaram a apontar possíveis genes de suscetibilidade, de forma semelhante ao que ocorre com os genes BRCA1 e BRCA2 no câncer de mama. Os pesquisadores, porém, ainda não identificaram mutações específicas que predisponham ao câncer de pulmão. A expectativa é que essa linha de pesquisa ajude a explicar como a doença se desenvolve e leve a novos biomarcadores para detecção precoce em grupos de alto risco.

Nos Estados Unidos, a Força-Tarefa de Serviços Preventivos atualizou em 2021 as diretrizes de rastreamento para incluir pessoas mais jovens e com histórico de tabagismo mais curto. O exame passou a ser recomendado para adultos de 50 a 80 anos que fumaram ao menos um maço por dia durante 20 anos, sejam fumantes atuais ou ex-fumantes que pararam nos últimos 15 anos. Segundo a oncologista, mulheres com risco de câncer de pulmão podem conversar com seus médicos sobre a realização de uma tomografia computadorizada de baixa dose.

A adesão ainda é baixa no país: mais de 70% das mulheres elegíveis fazem o rastreamento do câncer de mama, mas ==menos de 6% das fumantes elegíveis fazem o do câncer de pulmão==. Pesquisadores estimam que as novas diretrizes devem aumentar em 40% o número de mulheres elegíveis ao rastreamento.

No tratamento, o avanço no conhecimento das alterações genéticas e do sistema imunológico levou a terapias-alvo e imunoterapias que melhoraram o prognóstico. As mulheres tendem a ter prognóstico melhor do que os homens, principalmente quando nunca fumaram e o tumor tem alterações moleculares tratáveis com essas terapias.

Os sintomas, porém, podem passar despercebidos. Tosse, falta de ar, fadiga intensa e dor nas costas, no peito ou no ombro podem ser confundidas com outras doenças. Como as mulheres tendem a ser diagnosticadas um pouco mais jovens que os homens, elas podem tolerar os sintomas por mais tempo antes de procurar atendimento, e os médicos podem não associá-los ao câncer de pulmão por causa da idade da paciente.

Para Rodriguez, reconhecer os sinais precoces, ampliar a elegibilidade para o rastreamento e fazer testes de biomarcadores genéticos para escolher a melhor terapia são medidas que poderiam ajudar a enfrentar o avanço da doença entre as mulheres.

Baseado em: [Câncer de pulmão do Papa Leão 14 alerta para número crescente de não fumantes diagnosticados com a doença](https://super.abril.com.br/saude/cancer-de-pulmao-do-papa-leao-xiv-alerta-para-numero-crescente-de-nao-fumantes-diagnosticados-com-a-doenca/) — Superinteressante.

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Fonte: [Câncer de pulmão do Papa Leão XIV chama atenção para casos entre quem nunca fumou — grécio](https://grecio.com.br/blog/cancer-de-pulmao-papa-leao-xiv-nao-fumantes), por Grécio Freitas.
