Uma análise do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, identificou 316 registros de interação com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), entre 17 de setembro e 17 de novembro de 2025, dia em que o empresário foi preso. O levantamento foi revelado pelo UOL na sexta-feira (6) e repercutido pelo Blog do BG.
Desse total, 187 são mensagens enviadas por Vorcaro ao ministro. Os outros 129 registros reúnem mensagens atribuídas a Moraes e avisos do sistema do WhatsApp. A contagem não se limita a textos: também inclui fotos, chamadas e ligações perdidas.
Segundo o UOL, a reportagem conseguiu recuperar 17 mensagens inéditas, além das 52 já identificadas pela Polícia Federal (PF). Em uma delas, datada de 24 de outubro de 2025 e atribuída a Moraes, o ministro teria escrito: "Obrigado amigo. Nem dá pra perceber que não sou eu rsrs".
Outras mensagens indicam a combinação de um possível encontro em Brasília três dias antes da prisão do banqueiro. Em 14 de novembro, Moraes teria escrito "Me avise quando pousar" e, depois, "Chegou?". Após Vorcaro responder que havia pousado, o ministro teria enviado: "A caminho então".
O material também contém mensagens em que Vorcaro demonstra preocupação com possíveis medidas da PF e do Banco Central. Em uma delas, o banqueiro pede ajuda para tentar reverter a situação junto aos chefes da Procuradoria-Geral da República (PGR) e da PF.
Parte das conversas foi recuperada de bancos de dados secundários do WhatsApp, e algumas mensagens tiveram a ordem das palavras reconstruída. O conteúdo completo das interações não pôde ser recuperado.
Moraes nega a existência dos diálogos, questiona a integridade do material e afirma que o relatório da PF seria uma tentativa de vingança política. A defesa de Vorcaro também contesta a cadeia de custódia do celular. Procurados pela reportagem, o ministro e os advogados do banqueiro não se manifestaram sobre as novas descobertas.
