Depois da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), instituições financeiras passaram a ver 2027 com mais pessimismo e elevaram as projeções de inflação, ao mesmo tempo em que reduziram as de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). Segundo o Blog do BG, as revisões refletem o risco de alta dos preços e a incerteza sobre a política fiscal do próximo governo.

O Itaú elevou a previsão de inflação para 2027 de 4,6% para 6,1% e cortou a estimativa de crescimento do PIB de 1,2% para 0,5%. O Daycoval pretende subir sua projeção de inflação de 4,2% para 4,7%. A Lifetime Investimentos também trabalha com inflação acima de 5%.

O cenário é ainda mais preocupante para o ASA. A instituição prevê crescimento próximo de zero em 2027 e não descarta uma recessão, a depender de como as expectativas do mercado evoluírem.

Entre os principais fatores de pressão sobre os preços está o câmbio: o dólar subiu 9,17% na semana seguinte à eleição. Também entram nessa conta o possível fim da escala 6x1, que pode aumentar os custos das empresas com a contratação de funcionários, e os efeitos do El Niño sobre a produção e o preço dos alimentos.

A implementação da reforma tributária também preocupa, diante de uma alíquota da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) acima do esperado. Outro peso vem dos combustíveis, pressionados pela permanência do petróleo acima de US$ 100 e pela retomada de impostos federais com o fim dos subsídios.

A política fiscal é outro foco de preocupação. Investidores temem que Lula mantenha a estratégia de ampliar os gastos públicos, o que dificultaria o controle da dívida e aumentaria a pressão sobre os preços. A indefinição sobre o futuro ministro da Fazenda e sobre os rumos da política econômica também aumenta a cautela do mercado.

A mediana do boletim Focus ainda aponta inflação de 4,34% em 2027, mas esse número vem sendo revisado para cima. Na avaliação de economistas, sem medidas para equilibrar as contas públicas, as expectativas de inflação podem continuar subindo nos próximos anos. Além disso, a manutenção de juros elevados tende a prejudicar o consumo, os investimentos e o acesso ao crédito, ampliando o risco de desaceleração da economia brasileira.