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title: "Ocarina of Time no Switch 2: psicólogo explica por que revisitar Hyrule pode emocionar"
description: "Manoel Acioli usa o salto de sete anos de Link e estudos de 2026 sobre nostalgia para explicar como rever o clássico de 1998 mexe com a memória de quem o jogou na infância."
author: "Grécio Freitas"
published: 2026-10-23
updated: 2026-10-23
canonical: https://grecio.com.br/blog/ocarina-of-time-switch-2-nostalgia-psicologia
tags: ["Nintendo Switch 2", "nostalgia", "Ocarina of Time", "psicologia", "The Legend of Zelda"]
category: "Cultura"
source: "Superinteressante"
source_url: https://super.abril.com.br/cultura/por-que-o-remake-de-zelda-pode-fazer-voce-reencontrar-outra-versao-de-si-mesmo/
source_language: pt-BR
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# Ocarina of Time no Switch 2: psicólogo explica por que revisitar Hyrule pode emocionar

> Manoel Acioli usa o salto de sete anos de Link e estudos de 2026 sobre nostalgia para explicar como rever o clássico de 1998 mexe com a memória de quem o jogou na infância.

The Legend of Zelda: Ocarina of Time ==ganha uma nova versão para Nintendo Switch 2 em 5 de novembro==. Para o psicólogo Manoel Acioli, quem voltar a Hyrule pode reencontrar mais do que cenários e desafios: também as lembranças de quando jogou pela primeira vez e uma outra versão de si mesmo. Acioli, doutor em psicologia e especialista em terapias gamificadas e RPG terapia, apresentou a análise em artigo publicado pela Superinteressante.

Lançado em 1998 para o Nintendo 64, Ocarina of Time acompanha Link na missão de salvar o reino de Hyrule da ameaça de Ganondorf, numa jornada por florestas, vilarejos e templos. Em certo momento, o herói retira a Espada Mestra do pedestal, atravessa sete anos e desperta mais velho. Mais adiante, passa a poder viajar entre as duas épocas.

Para Acioli, a passagem dialoga com a experiência de quem retorna ao jogo depois de adulto: Link atravessa o tempo dentro da aventura, enquanto o jogador percebe o tempo que passou fora dela. A diferença, segundo ele, é que reiniciar a partida é possível, mas reunir de novo as condições da primeira jogada é muito mais difícil.

Ao despertar sete anos depois, Link encontra uma Hyrule transformada pelo domínio de Ganondorf, e lugares conhecidos aparecem em outras condições. O psicólogo argumenta que é justamente a familiaridade que torna a mudança evidente: se tudo fosse inteiramente estranho, haveria descoberta; como algo permanece, surge a possibilidade de perceber uma perda. Ele lembra que o próprio manual do jogo destaca a transformação do reino nesse intervalo e as consequências das ações da infância sobre a etapa adulta.

Na leitura de Acioli, a cena funciona como uma figura da experiência de crescer. Um lugar da infância continua localizável, mas isso não garante que possamos habitá-lo como antes: as pessoas mudaram, as relações assumiram outras formas e o próprio visitante ganhou preocupações que antes desconhecia. No jogo, a mudança vem numa ruptura abrupta. Na vida, costuma se tornar perceptível no retorno, quando a comparação reúne num único encontro transformações que levaram anos.

A possibilidade de alternar entre as idades também tem paralelo com o ato de rejogar. Link volta a um momento anterior, mas quem está no controle conserva o que aprendeu na outra época. Da mesma forma, quem revisita Ocarina of Time já conhece caminhos que antes exigiam exploração. Para o autor, esse saber muda a travessia: o percurso familiar pode trazer alívio, mas já não produz a mesma surpresa.

Acioli distingue lembrar como o jogo funciona de recordar os momentos vividos enquanto se jogava. É possível reconhecer comandos e antecipar a solução de um desafio sem que isso venha acompanhado da memória de quem estava ao lado ou do que se sentiu ao descobrir o que havia depois de uma passagem. Daí viriam sentimentos inesperados, como conhecer o caminho e sentir falta de quem o percorreu junto, ou reconhecer a música e lembrar de uma época em que as preocupações eram outras.

Ele acrescenta que experiências de separação ou mudanças importantes podem dar outro peso a trechos que, na infância, pareciam apenas mais uma etapa da aventura. É o que o autor chama de "paradoxo do retorno": quanto mais se reconhece uma passagem, mais se percebe a distância em relação à primeira vez.

Para sustentar a análise, o artigo cita pesquisas publicadas em 2026. Uma meta-análise de Evan Weingarten, da Universidade do Sul da Califórnia, nos Estados Unidos, ==reuniu mais de 400 experimentos sobre os desencadeadores da nostalgia e seus benefícios==. O trabalho indicou que situações de ameaça psicológica podem despertar nostalgia e que essa emoção pode favorecer o bem-estar.

A explicação discutida no estudo é que recordar acontecimentos pessoalmente importantes oferece recursos para enfrentar dificuldades do presente: diante da solidão ou da perda de sentido, por exemplo, lembranças de experiências compartilhadas podem recuperar sentimentos de pertencimento e de conexão com a própria história. Os benefícios, porém, variam conforme características individuais e a forma como a nostalgia é evocada.

No mesmo ano, Michael Mask, da Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá, publicou dois experimentos sobre o tema. Participantes que escreveram sobre uma lembrança nostálgica passaram a avaliar a própria trajetória como mais rica em experiências interessantes, variadas e capazes de transformar sua maneira de entender o mundo, em comparação com os que escreveram sobre um acontecimento cotidiano. ==O fator que mais se destacou foi o caráter incomum dos episódios recordados==: as memórias nostálgicas traziam à atenção acontecimentos que fugiam da rotina e tornavam a história pessoal mais diversa e significativa.

A partir desses resultados, Acioli sustenta que o valor de uma lembrança pode incluir a complexidade do que ela faz perceber. No caso de Ocarina of Time, a satisfação de reconhecer um cenário pode conviver com a consciência do tempo que passou, e a lembrança de ter jogado com alguém pode ser afetuosa e dolorosa ao mesmo tempo, sem que o passado precise ser descrito como uma época inteiramente feliz. Para o psicólogo, quem reencontra o jogo depois de anos passa a incorporar à experiência da obra a própria distância entre as partidas.

Baseado em: [Por que o remake de Zelda pode fazer você reencontrar outra versão de si mesmo?](https://super.abril.com.br/cultura/por-que-o-remake-de-zelda-pode-fazer-voce-reencontrar-outra-versao-de-si-mesmo/) — Superinteressante.

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Fonte: [Ocarina of Time no Switch 2: psicólogo explica por que revisitar Hyrule pode emocionar — grécio](https://grecio.com.br/blog/ocarina-of-time-switch-2-nostalgia-psicologia), por Grécio Freitas.
