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title: "Olhos biônicos avançam, mas visão artificial ainda é rudimentar, diz pesquisador"
description: "Tim Jackson, do King's College London, lembra os implantes pioneiros que saíram de linha e analisa apostas recentes, como o Prima e o chip cerebral da belga ReVision Implant."
author: "Grécio Freitas"
published: 2026-11-03
updated: 2026-11-03
canonical: https://grecio.com.br/blog/olhos-bionicos-implantes-retina-visao-artificial
tags: ["cegueira", "olhos biônicos", "pesquisa", "Saúde", "Tecnologia"]
category: "Saúde"
source: "Superinteressante"
source_url: https://super.abril.com.br/saude/como-olhos-bionicos-estao-se-tornando-realidade/
source_language: pt-BR
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# Olhos biônicos avançam, mas visão artificial ainda é rudimentar, diz pesquisador

> Tim Jackson, do King's College London, lembra os implantes pioneiros que saíram de linha e analisa apostas recentes, como o Prima e o chip cerebral da belga ReVision Implant.

Os olhos biônicos já conseguem devolver parte da visão a pessoas que a perderam, mas a imagem que oferecem ainda é básica. A avaliação é de Tim Jackson, professor de Pesquisa da Retina no King's College London, em artigo publicado originalmente no The Conversation e reproduzido pela Superinteressante. No texto, ele repassa mais de duas décadas de implantes, dos aparelhos pioneiros que acabaram abandonados às apostas atuais, e afirma que a tecnologia vem melhorando de forma constante nos últimos anos.

Até agora, esses dispositivos se concentraram em problemas da retina, a camada de células sensíveis à luz que fica no fundo do olho e funciona mais ou menos como o filme de uma câmera analógica. Quando a retina sofre danos graves, a pessoa pode perder a visão por completo. As primeiras tentativas de tratar esse tipo de cegueira com implantes começaram há mais de 20 anos.

Um dos primeiros aparelhos foi criado pela fabricante alemã Retina Implant AG. Um chip sensível à luz era colocado sob a retina danificada e ligado às células saudáveis que restavam, que levavam o sinal até o córtex occipital, a região do cérebro onde a visão é percebida. A cirurgia durava cerca de oito horas e incluía abrir um recesso no crânio, atrás da orelha, para instalar um receptor de energia, depois ligado ao chip por um fio passado sob a pele.

O resultado era uma visão rudimentar: os pacientes viam flashes de luz que correspondiam, de forma aproximada, ao formato do objeto observado. Muitos implantes também quebravam com o tempo, possivelmente por causa dos movimentos rápidos e frequentes do olho ou da corrosão provocada pelo líquido salino em seu interior. A empresa encerrou as atividades em 2019 e citou a falta de progresso médico como um dos principais motivos.

O outro pioneiro de destaque foi o Argus II, que combinava uma câmera montada em óculos com um chip implantado sobre a retina. A imagem captada virava um sinal e seguia sem fio até o chip, junto com a energia, e o chip estimulava as células saudáveis por meio de 60 eletrodos. O aparelho teve resultados iniciais positivos e foi autorizado em 2013 pela FDA, a agência dos Estados Unidos que regula medicamentos e alimentos. Com o tempo, porém, os resultados não se mostraram convincentes o suficiente, e ==o Argus II também foi descontinuado em 2019==.

Mesmo com esses contratempos, os pesquisadores continuaram tentando. Uma das abordagens mais recentes usa uma câmera externa que envia energia e dados de imagem, sem fio, para um chip implantado diretamente no córtex occipital. A ideia se baseia em pesquisas que colocavam sondas elétricas nessa região do cérebro para estimular a percepção visual.

Segundo Jackson, o método pode ajudar tanto pessoas com doenças da retina quanto quem tem problemas no nervo óptico, que liga a retina ao cérebro. Não está claro, porém, que resolução ele consegue alcançar, já que a alta resolução da retina e o complexo processamento de sinais que ela faz são perdidos. A belga ReVision Implant, que testa essa técnica, está lançando seu primeiro ensaio clínico em humanos, previsto para outubro de 2026.

Outro caminho é o do Prima. Nele, óculos transmitem imagens e energia por um sinal infravermelho a um chip implantado cirurgicamente sob a retina. O aparelho foi testado na forma seca da degeneração macular relacionada à idade (DMRI), uma das principais causas de cegueira. Em um pequeno ensaio clínico, ==o Prima restaurou a visão central funcional em 81% dos pacientes==, que passaram a conseguir ler letras, números e palavras. O dispositivo já está autorizado em 30 países europeus.

Como a DMRI é muito mais comum do que as doenças hereditárias da retina tratadas pela maioria dos aparelhos anteriores, o Prima é bem mais atraente para investidores. Jackson, no entanto, vê aí uma questão ética. Ao contrário de quem tem doenças hereditárias da retina, a maioria das pessoas com DMRI ainda tem boa visão periférica. Elas têm muito a perder se algo der errado, já que a complexa cirurgia para implantar o chip está longe de ser isenta de riscos.

Como esses sistemas transmitem a informação visual de forma eletrônica, seria possível, em tese, acrescentar novas funções a eles. Quem usa o Prima já pode recorrer ao zoom óptico, e algoritmos para aprimorar a imagem já foram propostos. No futuro, câmeras capazes de captar luz fora do espectro visível poderiam oferecer imagens térmicas e visão noturna; um aparelho com visão no infravermelho próximo já foi testado em primatas. Para o pesquisador, porém, esses dispositivos provavelmente não oferecerão visão aprimorada até que a visão artificial, hoje rudimentar, avance a ponto de esses "recursos opcionais" se tornarem mais relevantes.

Por enquanto, segundo Jackson, desafios de biomateriais e de eletrônica ainda impedem que os implantes de retina restaurem a visão de forma completa e duradoura. Um desafio potencialmente maior vem de soluções biológicas concorrentes, como as células-tronco, que estão nos estágios iniciais de testes em humanos. Essa linha também já gerou falsas esperanças e enfrenta grandes obstáculos de sobrevivência e integração celular. Na avaliação do pesquisador, se novas células retinianas humanas conseguirem substituir as perdidas para a doença, poderão um dia superar completamente os olhos biônicos como forma de restaurar a visão.

Baseado em: [Como olhos biônicos estão se tornando realidade](https://super.abril.com.br/saude/como-olhos-bionicos-estao-se-tornando-realidade/) — Superinteressante.

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Fonte: [Olhos biônicos avançam, mas visão artificial ainda é rudimentar, diz pesquisador — grécio](https://grecio.com.br/blog/olhos-bionicos-implantes-retina-visao-artificial), por Grécio Freitas.
