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title: "Pesquisa da UFRN relaciona indústria de Natal em 1985 à Sudene e a incentivos fiscais"
description: "O economista Eriberto Alves Medeiros Neto associa a expansão das fábricas à Sudene, à Petrobras e à guerra fiscal, e aponta a formação de periferias com mão de obra barata."
author: "Grécio Freitas"
published: 2026-10-26
updated: 2026-10-26
canonical: https://grecio.com.br/blog/pesquisa-ufrn-industria-natal-1985
tags: ["economia", "indústria", "Natal", "Rio Grande do Norte", "UFRN"]
category: "História"
source: "Brechando"
source_url: https://www.brechando.com/2026/10/como-era-a-industria-de-natal-no-ano-de-1985/
source_language: pt-BR
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# Pesquisa da UFRN relaciona indústria de Natal em 1985 à Sudene e a incentivos fiscais

> O economista Eriberto Alves Medeiros Neto associa a expansão das fábricas à Sudene, à Petrobras e à guerra fiscal, e aponta a formação de periferias com mão de obra barata.

Um Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) em Economia na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) reconstitui como era a indústria de Natal em meados dos anos 1980. Segundo os registros reunidos pelo economista Eriberto Alves Medeiros Neto, autor do estudo, havia em 1985 ==472 unidades fabris e mais de 20 mil empregos formais==. A pesquisa foi divulgada pelo site Brechando.

Diferentemente de outros países, o Brasil só se industrializou no século XX. Em Natal, a atividade industrial surgiu no pós-guerra e se intensificou na década de 1970, com a criação de incentivos fiscais. Antes disso, algumas fábricas da capital nasceram graças à Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), estatal criada em 1959 para investir na economia da região.

De acordo com o economista, Natal recebeu muitos investimentos a partir dos anos 1970, ligados ao II Plano Nacional de Desenvolvimento (PND) e à atuação da Sudene. Com programas de incentivo fiscal, como o Fundo 34/18-Finor, o Rio Grande do Norte viveu, nas palavras do estudo, um "surto de modernização capitalista".

Outro marco foi a ==chegada da Petrobras, em 1973/74, que dinamizou o interior do estado==, sobretudo a região de Mossoró, com milhares de empregos na extração e produção de petróleo e com recursos de royalties injetados na economia local.

Na década de 1980, apesar da resistência de alguns empresários, a industrialização cresceu bastante. A pesquisa associa esse avanço à migração do latifúndio para o setor têxtil, principalmente depois da crise do algodão provocada pela praga do bicudo. Segundo Medeiros Neto, Natal era vendida na época como a terra da oportunidade industrial e turística. A capital recebia tanto técnicos qualificados para o setor de petróleo quanto mão de obra sem qualificação, que ocuparia as periferias.

Nesse período, o estado buscava áreas com infraestrutura estatal já pronta. Enquanto as indústrias têxtil e de alimentos estagnavam em algumas áreas, a extração mineral e o turismo despontavam como novos motores da economia.

"No caso de Natal, esse processo foi mediado pelos incentivos da Sudene. A criação do Distrito Industrial em Parnamirim exemplifica a tentativa de industrialização regional. Em Natal, o resultado foi a formação de um vasto exército industrial de reserva, que se assentou em ocupações periféricas, como a Zona Norte de Natal e áreas de Parnamirim. O capital investido na região buscava menos o bem-estar social e mais a reprodução em si, através de baixos salários e incentivos fiscais", afirma o economista.

Com o enfraquecimento do modelo centralizado de desenvolvimento regional e da própria Sudene, em um contexto que inclui a Constituição Federal de 1988, ganhou espaço o Programa de Apoio ao Desenvolvimento Industrial (Proadi), ==instituído pela Lei Estadual nº 6.000/1987==. Para o pesquisador, o programa buscou atrair capital externo por meio da "guerra fiscal". "Embora esses mecanismos tenham fomentado a criação de novos distritos industriais, eles também aprofundaram a concentração das atividades na Região Metropolitana de Natal", disse.

O Proadi se baseava no diferimento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Ao contrário dos incentivos federais, oferecia desoneração fiscal direta às empresas, que em troca deveriam gerar empregos e descentralizar a produção. Do fim dos anos 1980 a meados da década de 1990, o programa foi decisivo para a instalação de indústrias têxteis, de calçados e de processamento de alimentos na Região Metropolitana de Natal, embora boa parte das empresas beneficiadas pertencesse aos ramos industriais tradicionais do estado.

O programa existe até hoje e, junto com a construção de conjuntos habitacionais, ajudou a urbanizar cidades da Grande Natal e a Zona Norte da capital.

Baseado em: [Como era a indústria de Natal no ano de 1985?](https://www.brechando.com/2026/10/como-era-a-industria-de-natal-no-ano-de-1985/) — Brechando.

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Fonte: [Pesquisa da UFRN relaciona indústria de Natal em 1985 à Sudene e a incentivos fiscais — grécio](https://grecio.com.br/blog/pesquisa-ufrn-industria-natal-1985), por Grécio Freitas.
