O PL, dono da maior bancada da Câmara dos Deputados, adiou para 11 de novembro a decisão sobre apoiar ou não a reeleição de Hugo Motta (Republicanos-PB) à presidência da Casa. O líder do partido, Sóstenes Cavalcante (RJ), anunciou o adiamento depois de mais de duas horas de reunião na sede da legenda. Segundo o Blog do BG, que reproduz informações do Metrópoles, a ideia é que os 32 novos deputados eleitos pela sigla também participem da escolha.
O partido tem duas opções: declarar apoio formal ao candidato do Republicanos ou liberar a bancada para que cada deputado negocie individualmente. A adesão formal enfrenta resistência da ala bolsonarista, que critica abertamente a proximidade entre Motta e o Palácio do Planalto.
A aritmética favorece Motta. Ele já contabiliza o apoio de 15 partidos, que somam 361 deputados, margem confortável diante dos 257 votos necessários na eleição para a presidência da Câmara, marcada para 1º de fevereiro de 2027. O PL garantiu 121 cadeiras, a maior bancada da Casa, mas não tem força para sustentar sozinho uma candidatura própria. Se aderir à aliança de Motta, chamada pela publicação de bloco governista, o grupo passará a reunir 16 siglas e 482 parlamentares.
O cenário contrasta com o resultado das urnas em 2026. De acordo com a publicação, os partidos alinhados a Flávio Bolsonaro elegeram 286 deputados, contra 124 das legendas aliadas a Lula. Ainda assim, a vantagem não se converteu em apoio automático para o comando da Câmara. Siglas do Centrão que apoiaram Flávio no segundo turno agora fazem parte do bloco de sustentação de Motta, que fez campanha aberta pela reeleição de Lula e viabilizou pautas do governo petista, como o fim da jornada 6x1 e o aumento do teto de faturamento do MEI (microempreendedor individual).
No Senado, o movimento é parecido: Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) adota estratégia semelhante para neutralizar o avanço da oposição.
Na cúpula do PL, a preocupação está no custo do isolamento. Lideranças como o presidente da sigla, Valdemar Costa Neto, temem que, fora da maioria, o partido perca a prioridade na escolha de presidências de comissões consideradas estratégicas, como a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e a Comissão de Saúde. Também estão em jogo o poder de barganha por vice-presidências e secretarias da Mesa Diretora e a influência sobre a indicação e a negociação das emendas de comissão, verbas não impositivas.
Se a oposição ficar de fora do acordo principal para a Mesa Diretora, a maior bancada da Câmara começará a nova legislatura com menos capacidade de distribuir poder e recursos, segundo a avaliação reproduzida pelo Blog do BG.
